Autismo

AutismoHISTÓRIA
Leo Kanner, em 1943, diferenciou o autismo de outras psicoses graves na infância, com o estudo de um grupo de onze crianças, o psiquiatra Kanner constatou que estas apresentavam um quadro clínico considerado raro, em que a desordem fundamental era a incapacidade de se relacionar com outras pessoas. Em 1944, quase na mesma época que Kanner, Asperger com seu estudo com um grupo de crianças, deu o nome de “psicopatia autistica” a crianças com atraso no desenvolvimento que tinham como característica principal a dificuldade de relacionamento interpessoal.Com o passar dos anos vários autores estudaram crianças com manifestações patológicas semelhantes, estes se dedicaram a formular diferentes hipóteses teóricas sobre o autismo. Tal fato contribuiu na passagem do autismo da posição teórica básica já existente, psicodinâmica, para a de natureza organicista.

A vertente organicista sobre o autismo teve a origem calcada na hipótese levantada por Kanner de que crianças que apresentassem um quadro de autismo, teriam uma incapacidade inata para o contato afetivo. Este caráter inato poderia estar relacionado a déficits comportamentais, afetivos e de linguagem, que poderiam estar relacionados a alguma disfunção de natureza bioquímica, genética ou neuropsicológica.

Para Wing o autismo é uma desordem que envolve um prejuízo no desenvolvimento na área da interação social recíproca tanto, isoladamente quanto associada a prejuízo de outras funções psicológicas, pressupõe assim, a idéia chamada de continuun ou spectruun. Esta idéia está relacionada a existência de alterações comportamentais que se apresentam em graus variados de tipos de severidade. Isto reflete uma mudança importante sobre o autismo, este deixa de ser considerado um quadro específico e único para ser considerado uma síndrome que comporta subtipos variados.

AutismoAUTISMO
O Autismo tem como características principais a dificuldade na comunicação, na sociabilização e no uso da imaginação.

O autismo merece total atenção, por ser uma das desordens mais comuns em nosso mundo, sua incidência é de um em cada 88 nascidos (Centers for Disease Control and Prevention, 2012), por isso familiares, educadores e profissionais de saúde devem conhecer e estar atentos aos sinais e sintomas do autismo.

O autismo, hoje conhecido como TEA (Transtorno do Espectro Autista) é considerado uma síndrome neuropsiquiátrica, com a causa ainda desconhecida, estudos apontam que fatores genéticos e neurobiológicos podem estar associados ao Autismo.

As alterações comportamentais no autismo se apresentam em graus variados de tipos de severidade, o que significa que existem diferentes níveis (leve, moderado e grave) que estão diretamente ligados ao desempenho cognitivo do indivíduo. As características principais estão nas dificuldades de comunicação, interação social e no uso da imaginação.

Indivíduos Autistas podem não desenvolver a linguagem ou apresentar dificuldade em compreendê-la e em usá-la de forma funcional, podem não entender o que alguém lhe fala ou ficar repetindo o que lhe é dito, assim, não usam a linguagem de forma comunicativa.

Em relação à sociabilização, os autistas podem apresentar reações “estranhas” diante de outras pessoas, algumas vezes parecem muito afetivos, tratando a todos de forma íntima, parecendo não diferenciar as pessoas, como também podem não olhar, não interagir e não fazer nenhum tipo de troca com o outro.

Na capacidade imaginativa a dificuldade está ligada em compreender o abstrato, ou seja, representar coisas que não estão presentes de forma concreta, e em possuir flexibilidade mental, o que os tornam repetitivos e rotineiros, sem capacidade de lidar com o imprevisível.

O tratamento adequado utiliza as terapias comportamentais e engloba uma equipe multiprofissional (psiquiatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos e educadores físicos).

Dentre as terapias comportamentais mais utilizadas estão: TEACCH (Tratamento e Educação para pessoas com Autismo e dificuldades Correlatas a Comunicação), ABA (Análise Aplicada do Comportamento) e PECS (Comunicação por Trocas de Figuras).

Utilizar a terapia adequada em uma idade favorável melhora o prognóstico do indivíduo com autismo, isto quer dizer que o quanto antes for observado os sinais e for inserido em uma estimulação maior será o desenvolvimento deste indivíduo.

Estes sinais de alerta podem ser observados até mesmo antes dos 18 meses de idade, alguns deles são: podem não atender ou reagir quando chamado pelo nome, podem não se engajar em brincadeiras sociais (como brincar de esconde-esconde), podem não apresentar comportamentos antecipatórios (como estender os braços e fazer contato visual para pedir colo), podem não utilizar gestos (como apontar) para objetos que são de seu interesse, podem fixar-se em partes de objetos sem utilizá-los funcionalmente (como passar mais tempo girando a roda de um carrinho do que o empurrando).

É válido salientar que o autismo não tem uma forma única de ser, uma criança com autismo não necessariamente possui todos esses sinais, pode possuir alguns deles ou outros que não foram mencionados. O importante é que se perceberem alguns desses sinais, conversem com o pediatra para um encaminhamento a um neuropediatra ou psiquiatra infantil para um possível diagnóstico precoce.

 
 
 
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