O desenvolvimento motor e sua importância para indivíduos com TEA

O desenvolvimento motor e sua importância para indivíduos com TEA

 

Desde que nascemos nos inserimos num processo constante de desenvolvimento, processo este que engloba diversas áreas e leva-nos gradativamente a aprendermos repertórios cognitivos e motores fundamentais para o nosso dia a dia. Abordaremos aqui informações que se relacionam fortemente com o desenvolvimento motor e sua importância para indivíduos com TEA – Transtorno do Espectro Autista.

 
O desenvolvimento motor e sua importância para indivíduos com TEA - Transtorno do Espectro AutistaDevemos a princípio afirmar que, por mais que indivíduos com TEA sejam o foco maior de nossas publicações, o que aqui for exposto cabe a qualquer indivíduo e não objetiva de forma alguma criar mais estereótipos do que os que já existem associados ao transtorno, alguns deles de forma incorreta. Por exemplo, erramos quando definimos que as dificuldades motoras apresentadas por uma criança autista advêm diretamente do transtorno, essas possíveis limitações poderão surgir de uma série de outros fatores como comorbidades, vivências e falta de estímulos.

Todo desenvolvimento se dá pela interação do indivíduo com o meio que o cerca, e com a motricidade não é diferente, essa relação associada também a fatores genéticos definirá o quão promissor será a evolução motora e consequentemente física do indivíduo. Desde o nascimento até a velhice passamos por fases de aquisição motora que estão diretamente ligadas a idade, e nesse processo vivenciamos etapas de aprendizagem, especialização e manutenção das habilidades. Nessa relação, existe de forma indispensável a necessidade de o indivíduo nas idades iniciais explorar ao máximo o ambiente em que vive e ao longo da vida ser estimulado através de atividades físicas, dessa forma estaremos permitindo no decorrer de todo processo de desenvolvimento que o mesmo adquira maior consciência corporal e consequentemente seja mais preparado para as exigências da vida e as relações existentes em uma sociedade.

Apesar de não haver grandes diferenças no que tange o processo de aprendizagem motora de indivíduos de desenvolvimento típico e atípico, devemos levar em conta que aqueles dentro do espectro do TEA tendem a apresentar interesses restritos de atividades, e se as motoras não estão entre elas, a falta de vivências poderá trazer prejuízos a motricidade. Diante disso, é importante que estratégias sejam criadas objetivando o engajamento de todos em atividades de estimulação motora.

Na Clínica Somar, quando planejamos, estruturamos e aplicamos as atividades motoras, estamos objetivando dentro da individualidade de cada um o aumento do repertório motor através da exploração corporal. Para tal, levamos a criança ou adolescente a explorar situações que envolvam importantes área do desenvolvimento motor como equilíbrio, lateralidade, coordenação motora, agilidade, força, velocidade, propriocepção, motricidade fina e percepções sensoriais. Às vezes, um profissional de Educação Física ao se deparar em sua atuação com a necessidade de elaborar atividades para indivíduos com TEA entra em desespero por não saber o que fazer, mal sabendo o mesmo que não existem segredos e sim adaptações ao que ele já conhece e realiza muito bem.

As atividades motoras devem ser visualmente comunicativas, ou seja, dizerem através de referencias visuais a ação a ser realizada, pois no TEA o visual é intenso, devem levar em conta a capacidade de cada um, não exigindo nem mais nem menos do que podem oferecer no momento e devem ser estruturalmente organizadas, sem a presença de estímulos visuais desnecessários que possam levar o indivíduo a perder o foco. Outro ponto importante é que quando organizadas pelo sistema de circuitos, ficam mais facilmente compreendidas e dão uma previsibilidade do que deverá ser feito, evitando dessa forma que o indivíduo com TEA se desorganize.

Abaixo seguem alguns exemplos de nossas atividades que se baseiam nas características descritas acima.

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Autor

Luana Passos

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