Reflexão sobre a seletividade alimentar no autismo

Reflexão sobre a seletividade alimentar no autismo

 

Para iniciarmos nossa reflexão sobre a seletividade alimentar no autismo precisamos ter em mente três conceitos básicos sobre alimentação: primeiro, seletividade é diferente de preferência alimentar; segundo, toda criança passa por uma fase de transição alimentar que pode ser confundida com seletividade e por último a seletividade alimentar no autismo pode ser justificada pelas próprias características típicas do Transtorno do Espectro Autista.

 
Quantas vezes você já experimentou determinado alimento de forma repetida e não conseguiu gostar? Ou até come tal alimento, porém não classifica o mesmo como sua preferência? Isso é perfeitamente natural, é o que chamamos de preferência alimentar. Agora relembre os momentos que você não provou nenhuma vez determinada fruta, por exemplo, e não come, mesmo sem uma explicação consistente para isso? Ou aceita comer frutas somente de determinada cor? Ou ainda, rejeitou a fruta, mas tomou o suco? Ou até mesmo só come a fruta se estiver cortada de determinada forma? Isso é seletividade alimentar!

Por volta dos oito meses de idade a criança é apresentada a alimentos com sabores, texturas e consistências diferentes, o que chamamos de transição alimentar. Nessa fase, a princípio algumas crianças podem rejeitar tais alimentos, contudo com as apresentações repetidas isso é superado pela criança de maneira natural. Algumas mães oferecem uma, duas ou três vezes o alimento novo para sua criança e ao ser rejeitado, acreditam que a mesma tem seletividade alimentar. Novos alimentos devem ser oferecidos de oito a dez vezes para classificarmos o que é preferência ou não do paladar da criança.

Em crianças com autismo os alimentos devem ser oferecidos por mais vezes, pois eles apresentam mais resistências a mudanças. O comportamento repetitivo e interesses restritos característicos do Transtorno do Espectro Autista influenciam não somente na rotina diária dessas crianças, como também, em sua alimentação. Alguns aceitam apenas alimentos de determinadas cores (verde, laranja, vermelho), tamanhos e formas estabelecidos; outros rejeitam consistências mais sólidas ou pastosas, alimentos com cheiros diferentes, alimentos oferecidos em disposição de locais diferentes no prato ou em utensílios que não são utilizados habitualmente pela criança, por exemplo, outro copo, ainda que seja da mesma cor ou forma do copo eleito anteriormente pela criança.

Todos esses aspectos caracterizam um ritual durante a alimentação das crianças com autismo que podemos classificar como idiossincrasia alimentar. Para minimizar os efeitos da seletividade alimentar é necessário trabalhar um passo de cada vez, oferecendo os novos alimentos de forma gradativa e com bastante persistência, porém tendo sempre a sensibilidade de observar o que é seletividade e o que é preferência alimentar da criança.

Além disso, é importante utilizar estratégias diferentes para cada criança. Uma equipe multidisciplinar com fonoaudiólogo (a), terapeuta ocupacional, nutricionista, entre outros, é essencial para superação da seletividade alimentar em crianças com autismo.

Autora: Fga. Wigna Rayssa Pereira Lima

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Equipe Somar

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